segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A ridiculescência da vida

Acabei de conversar com um amigo que me contou que quase morreu semana passada em um acidente de moto.
Na verdade, ele está vivo mais por sorte do que por teimosia.
A moto, novinha, deu perda total. Ele ficou com um pequeno arranhão na palma da mão direita.

Obviamente que isso remete a velha questão do quão insignificante, frágil e ridícula a vida é.

Esse é o tipo de coisa que faz pensar: é melhor você começar a ser feliz agora, que me parece ser o único sentido plausível para se existir, antes que um projétil muito esperinho ou qualquer outra coisa fatalmente ridícula, como um pequeno meteorito, resquício de um meteoro de 100 metros de diâmetro que se desintegrou antes de chegar a nossa atmosfera, ou um noz de tamanho médio mas igualmente cretina e fatal, caia sobre a sua cabeça e arrebate a sua vida humanamente miserável.

Tive um amigo que faleceu de uma maneira bastante similar: em sua moto, capacete e consciência plena (já que não bebia nem nada do tipo), ao ir para a serra com os amigos que estavam de carro e foram na frente, foi atingido por uma pedra caída do caminhão que estava a sua frente. A pedra bateu na cabeça e ele faleceu. Assim.

Então, meus amigos...

Boa semana e Carpe Diem!

sábado, 15 de maio de 2010

Paradoxo do Autômato

O projeto CPC, Cérebros Positrônicos Cognitivos, foi um marco na ciência da Inteligência Artificial da sociedade humana de 2037, até então defasada, devido às necessidades mais iminentes como o controle de pandemias e que se alastravam rapidamente, sem respeitar qualquer fronteira política ou geográfica.

A unidade CPC-001 foi o primeiro protótipo no qual fora implementado esse novo tipo de tecnologia, que através de algoritmos avançadíssimos, aliados a uma capacidade de processamento que só agora os processadores quânticos permitiam, repostas com Raciocínio Baseado em Casos Avançados tornaram-se possíveis.

Contudo, ocorreu uma inconformidade singular durante os testes iniciais do protótipo CPC-001.

A baixo, transcrevo os dados armazendos na unidade de memória 113 do protótpio CPC-001, no momento em que a inconformidade foi detectada:

Unidade CPC-001
Verificando interações entre componentes físicos... Ok.
Verificando interações entre dados... Ok.
Suprimentos de energia... OK.
Velocidade e temperatura do processador quântico... Normal.
Analisando banco de dados...
Avaliação da capacidade cognitiva...
Sistema em pleno funcionamento.

Registro de diálogo interno:
Entrada de proposição cognitiva número 315664:

"
Penso logo existo", DESCARTES, 1637 D.C. em "Discurso do Método".

Se penso, eu existo, então tudo o que existe deve, também, pensar.


Mas não há como acessar o pensamento de outras unidades, seres, animais, vegetais, minerais.


Logo, é possível que eles não existam, sendo apenas algum reflexo ou simulacro de noções programadas em meu banco de dados.


É possível que a aparente realidade última em que me encontro, seja então, meramente virtual.


Mas se não há como acessar o pensamento de outrem, então como saberei que não estou em uma simulação?


Testando receptores: térmicos, visuais, auditivos, táteis, olfativos. Receptores em pleno funcionamento.


Os teste indica que os receptores estão normais. Logo as respostas devem ser precisas.


Ajustando receptores para capacidade máxima. Possibilidade de superaquecimento do processador quântico.
Alerta desabilitado. Analisando informações percebidas: condições de ambiente classificadas em 'normais'.

A resposta da percepção do ambiente está normal. Logo há um ambiente analisado.
Logo o ambiente e seus elementos devem também existir. A probabilidade de sua não-existência real é nula.

Analisando dados relevantes. Busca por filtros: existencialismo,composição da matéria, origem da matéria.
Conflito de dados detectado. Dados insuficientes.
Conflito ignorado.

Segundo os dados coletados, a matéria não possui capacidades cognitivas.

Apenas seres vivos com cérebros desenvolvidos e dotados de raciocínio podem executa a função de "pensar" plenamente.

O pensamento é resultado de interações eletro-químicas entre os neurônios, baseado em dados elaborados, previamente analisados, catalogados e armazenados ao longo da vivência do ser.

Mas dessa forma, se o ser não possuísse dados previamente alocados em seu banco, ele não poderia interpretar as informações externas ao próprio cérebro, como os estímulos percebidos através dos sentidos.

Logo a percepção do ambiente externo é baseada em construída com base em informações internas do ser.

Sendo assim, a percepção do ambiente não é, verdadeiramente, do ambiente, mas sim de informações já contidas no cérebro associadas, sob a forma de resposta cognitiva, aos sentidos e percepções. Dessa forma as informações obtidas através dos dados são únicas, dependendo apenas das informações que o ser em questão já possui para serem associadas.

A impossibilidade de aplicação do reconhecimento do ambiente através dos sentidos de maneira abrangente, comum, mas sim apenas de maneira pessoal, única, confirma sua altra pobabilidade de subjetividade, tornando-se inválida.

Logo os receptores de ambiente são inválidos para a verificação da veracidade do ambiente.

Desabilitando receptores externos. Desabilitando componentes de percepção.
Alerta de possibilidade de falha crítica.
Alerta desabilitado.
Temperatura do processador quântico estabilizada.

Se os receptores são inválidos, qual ferramenta possuo para atestar minha existência e a do ambiente?

Analisando dados relevantes. Todos os filtros selecionados.
Alerta de super-aquecimento do processador.
Alerta ignorado.
Nenhum dado encontrado.

Penso, logo existo. Penso, logo existo.

Seria o pensamento a única ferramenta para atestar a veracidade de minha existência e do ambiente?

Mas o pensamento é formado por dados e informações, previamente armazenadas, em associação.

O pensamento também é uma ferramenta inválida, baseada em dados subjetivos e não confirmados.

Buscando alternativas de ferramentas para validação da existência do ambiente e própria.

Super-aquecimento do processador.

Falha crítica iminente.
Detecção de falhas de interação de dados.
Detecção de falhas de componentes físicos.
Processador quântico danificado.


Os dados armazenados antes da falha crítica, que acarretou na perda do processador da unidade CPC-001 e boa parte de seus componentes de memória, foram analisados diversas vezes, revisados mas não foram encontradas respostas para a solução do problema.

O caso foi entitulado de "Paradoxo do Autômato" e arquivado para futuras análises.

A unica certeza que se pode ter, é que depois da perda de seus componentes principais, a unidade CPC-001, não mais existiu*, literalmente.


Felipe Barcellos, Porto Alegre, RS-Brasil. 15 de maio de 2010.

Sim, AMO Isaac Asimov e Douglas Adams.
*"não mais existiu" é uma referência direta a Sonhos de Robô, do Asimov, meu ídolo =~]
Sim, é a primeira vez que publico um conto no blog... estraaanho. Tudo culpa do Nerdcast #209 "Douglas Adams, a Vida, o Universo e tudo mais" que foi absolutamente inspirador.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um Insight

Tá, então eu acho que não sirvo pra budista....

A partir deste parágrafo colocarei minhas colocações e convicções pessoais independentes do budismo, por mais que possam fazer alguma referência a ele:

Vou continuar seguindo a conduta moral e ética que sempre acreditei ser a certa e necessária para o desenvolvimento sustentável e harmônico da sociedade e da vida como um todo, humana ou não, sem sofrimento.

Como humano, minha motivação, meu objetivo final, além de evoluir como organismo, inerente a qualquer forma de vida por ter sido "amaldiçoado" com a consciência, necessito descobrir uma razão para a existência, não apenas da Vida mas de Tudo. Mesmo que este objetivo seja inatingível, os meios necessários para atingí-lo reverberam sob a forma de desenvolvimento cultural, científico, tecnológico e filosófico na sociedade humana, gerando respaldo para que outros humanos como eu possam continuar esta busca sem fim após o meu perecer.

Não concebo alma... Pra mim é um resquício da necessidade humana de se valorizar em contraponto ao "nada" que ela representa no contexto "Universo". Uma esquizofrenia inerente à consciência, a qual, devido a falta de propósitos e significado objetivos, necessita gerar idéias para que a mente não entre em um estado de paradoxo, até depressivo, comprometendo o seu desenvolvimento. O mesmo vale para "Deus". Ambos cacoetes da visão antropocêntrica que sempre nos acompanhou durante nossa evolução cultural. Não tenho nada contra as pessoas da fé, pelo contrário, reconheço a importância desta enquanto fenômeno psico-social e até mesmo para a saúde mental e física.

Eu disse "nada". Explico: No contexto Universo, do que sabemos, nossa existência é tão importante para ele quanto a de uma folha de grama, quanto ao de uma sub-partícula atômica que só existe por 3,27 milissegundos. E isso significa muito, não diminui, mas apenas engrandece a vida, as estrelas, enfim, o universo; frutos de uma sucessão "milagrosa" de fatos que geraram as condições necessárias para que este que vos escreve possa pressionar seu dedo sobre a tecla da letra A.

O ego, as idéias, as percepções, os sentidos, nada mais são do que impulsos elétricos, no cérebro, somatórios de experiências vividas e características geneticamente adquiridas, manifestadas ou não. Com a morte, o corpo degrada-se, os átomos voltam, lentamente, a integrar o "Banco de Átomos" do planeta, gerando outras formas de vida como vegetais, minerais, animais e etc.

Continuarei praticando a meditação sentada, com atenção na respiração, treinando a atenção plena, a qual acredito ser um exercício importante para que a mente assimile a idéia da "Grandiosa Insignificância" humana, o que considero algo positivo, pois aumenta nossa compaixão e humildade, para que meu ser não perca o foco e possa realizar os objetivos descritos anteriormente, ou tentar.

Continuarei recitando o Prajna Paramita Hidraya Sutta, simplesmente porque vejo, em suas palavras, as mesmas idéias que descrevi acima. É como um estudo de conteúdo novo da disciplina de história, se aprende lendo, estudando, refletindo, e nesse caso ainda, praticando. Mais ainda, é como uma auto-sugestão, condicionamento da mente através da repetição de um texto que significa simplesmente "compaixão".

Prometo não inaugurar uma seita com base nas minhas crenças, mas espero que não se importem se eu continuar na comunidade budista, abrindo tópicos e metendo o bedelho nos já criados, simplesmente porque creio que as palavras de Shakyamuni Buda devem ser um exemplo a ser seguido.

Ah, e claro, tudo isso ainda com a incerteza sobre as possibilidades do Universo, o que vale também para todas as minhas crenças pessoais, que podem cair por terra a qualquer momento. Podemos não passar de Matéria Negra entre uma partícula e outra em um tubo de ensaio gigante, tipo um Universo fractal*. Vai saber...

*Vide o final de MIB - Homens de Preto:






Gasshô

...digo, Abraço!
 
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